A MOBILIDADE É UM DOS PILARES ESTRUTURANTES DO DESENVOLVIMENTO

Arrancou hoje (17 de Março), na cidade de Maputo, a Conferência de Mobilidade Sustentável de pessoas e bens 2026 – 2033 que junta técnicos moçambicanos e portugueses. A ideia é trazer soluções para os problemas que apoquentam os dois países. A abertura oficial do evento foi feita pelo Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe.
Na ocasião, o Ministro destacou que a realização daquele encontro no Porto de Maputo tem um significado particular, por se tratar de uma infra-estrutura estratégica para Moçambique e para toda a região da África Austral, pois assegura a ligação entre as cadeias logísticas nacionais e os principais corredores regionais de comércio e transporte.
Segundo avançou, a mobilidade deve ser entendida como um dos pilares estruturantes do desenvolvimento económico, social e territorial. Também, acrescentou João Matlombe, inclui a capacidade de deslocação eficiente de pessoas e bens influencia directamente a produtividade das cidades, a competitividade da economia e o acesso da população a oportunidades, serviços e mercados.
Entretanto, “a mobilidade não se resume a infra-estruturas ou veículos. No seu sentido mais profundo, mobilidade significa acesso: acesso ao trabalho, à educação, à saúde, à cultura e às oportunidades que permitem melhorar a qualidade de vida das pessoas”.
Aliás, a forma como as cidades crescem, a distribuição dos usos do solo, a densidade urbana, a organização dos espaços públicos e a estrutura dos corredores de transporte, condiciona de forma directa a eficiência dos sistemas de mobilidade, uma vez que cidades dispersas, com expansão urbana desordenada e forte dependência do transporte individual, tendem a gerar congestionamento, maiores emissões de poluentes e maiores custos sociais e económicos.
Entretanto, cidades planeadas com integração entre desenvolvimento urbano, transporte público e mobilidade activa permitem criar sistemas mais eficientes, com menor impacto ambiental e com maior acessibilidade para todos os cidadãos.
“O planeamento urbano deve colocar a pessoa no centro das decisões. Isso significa pensar cidades onde caminhar seja seguro, onde o transporte colectivo seja acessível, confiável e eficiente, e onde os diferentes modos de deslocação estejam articulados de forma inteligente”, disse o Ministro dos Transportes e Logística.
Para depois acrescentar que é, também, reconhecer que sistemas colectivos de transporte desempenham um papel essencial na promoção da inclusão social, permitindo que todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, possam aceder às oportunidades que a cidade oferece.
“É com esta visão que o Governo de Moçambique tem vindo a reforçar a integração entre as políticas de mobilidade, o planeamento urbano e o desenvolvimento das infra-estruturas de transporte”, clarificou.
Paralelamente, a Iniciativa de Transporte Rural procura responder a um desafio igualmente importante: garantir que as populações das zonas rurais tenham acesso a soluções de mobilidade que reduzam o isolamento, facilitem o escoamento da produção agrícola e promovam uma maior integração económica entre as áreas rurais e os centros urbanos.
O Governo tem vindo a incentivar a introdução de veículos movidos a gás nas principais cidades do País, como uma medida concreta para reduzir emissões poluentes, melhorar a qualidade do ar urbano e contribuir para sistemas de transporte energeticamente mais eficientes.
Ao mesmo tempo, “estão em desenvolvimento projectos estruturantes destinados a reforçar o transporte colectivo de média e grande capacidade. Entre estes destaca-se o desenho e a futura implementação do sistema Bus Rapid Transit (BRT) para a área metropolitana, que permitirá organizar corredores dedicados de transporte público, aumentar significativamente a capacidade do sistema e reduzir os tempos de deslocação”.
No domínio ferroviário, estão em análise iniciativas destinadas a reforçar o transporte de passageiros na área metropolitana, bem como a criação de novas ligações regionais, incluindo a ligação entre as cidades da Beira e do Dondo, em Sofala. “Estes projectos representam passos importantes para diversificar as opções de mobilidade e fortalecer soluções de transporte colectivo mais eficientes e sustentáveis”.
Por seu turno, o Presidente do Conselho de Administração (PCA) da empresa Portos e Caminhos de Ferro (CFM), Agostinho Langa Júnior, mencionou que ao longo dos últimos anos, o Corredor de Maputo tem vindo a afirmar-se como um dos principais eixos logísticos da África Austral, resultado de um esforço conjunto entre o Estado, operadores privados e públicos e diversos parceiros institucionais. Langa referiu ainda que tal progresso está a ser possível graças ao investimento contínuo em infraestruturas, tecnologia e, sobretudo, em conhecimento e capital humano.
“É precisamente por isso que iniciativas como esta conferência se apresentam muito relevantes. Ao reunir universidades, investigadores e profissionais do sector, cria-se um espaço privilegiado para a partilha de ideias, debate de soluções e para o fortalecimento de ligações entre o mundo académico e o mundo operacional. É por isso nossa expectativa que estes dias de trabalho permitam aprofundar esta ligação e contribuir para o desenvolvimento de sistemas de transporte e logística cada vez mais eficientes, integrados e sustentáveis”.
